O efeito da idade relativa no futebol brasileiro: e daí?
Resumo
Objetivoː Nosso propósito foi: a) descrever a ocorrência do Efeito da Idade Relativa em equipes de base do futebol brasileiro; b) identificar a associação entre o Efeito da Idade Relativa e habilidades técnicas, e c) examinar como o Efeito da Idade Relativa pode afetar a Aptidão Física.
Método: Oitenta e um jogadores da base de elite (sub-15, sub-17 e sub-20) foram classificados por Quartis de Nascimento. O Efeito da Idade Relativa foi determinado quando houve diferença (p<0.05) entre nascidos no QN1 (janeiro a março) em relação aos demais (Chi-Quadrado). A associação entre o Efeito da Idade Relativa e o Ranqueamento Técnico foi determinada por teste de correlação (Rho). Também foi realizada a correlação parcial controlada pela data de nascimento e maturação (Maturity Offset). O efeito da Efeito da Idade Relativa na Aptidão Física foi verificado pela variação (ANOVA) de seus componentes nos Quartis de Nascimento de cada equipe.
Resultados: Os jogadores nascidos no QN1 foram os mais selecionados nos times Sub-15 (60%) e Sub-17 (35%), mas não no Sub-20 (25%). A correlação foi de baixa a moderada (correlação = 0.04 a 0.53) entre os Quartis de Nascimento e Ranqueamento Técnico, enquanto o maior efeito do nascimento ou maturação (correlação parcial) ocorreu para Sub-15. Embora o Quartis de Nascimento não afete a Aptidão Física (ANOVA), pode favorecer alguns componentes da a Aptidão Física (p<0.05) em qualquer equipe.
Conclusões: O maior risco de o Efeito da Idade Relativa nas equipes mais jovens é devido à maior ênfase nas habilidades técnicas. Quando a data de nascimento ou maturação é controlada a associação entre Ranqueamento Técnico e Quartis de Nascimento reduz. Não ficou evidente que o Efeito da Idade Relativa afete a Aptidão Física no desempenho do jogo desses atletas.