Associação entre a variabilidade da frequência cardíaca e a composição corporal em jogadoras de rugby e voleibol da Patagónia chilena.
Resumo
Objectivo: Descrever a relação entre os parâmetros da variabilidade da frequência cardíaca (VFC) e a composição corporal em atletas do sexo feminino que treinam em latitudes elevadas do hemisfério sul. Materiais e Métodos: Foi realizado um estudo observacional transversal com carácter correlacional. Participaram 31 atletas do sexo feminino (10 jogadoras de rugby e 21 jogadoras de voleibol) das Ilhas Magalhães e da Região Antártica Chilena. As medições de composição corporal consistiram numa análise de impedância bioelétrica (Tanita BC-558). A VFC foi registada em repouso utilizando uma banda polar H10 e analisada nos domínios do tempo e da frequência com o software Kubios HRV. Foram calculados os índices RMSSD, SDNN, HF, LF, VLF, PNS/SNS e um índice de stress. O coeficiente de correlação de Spearman foi utilizado para avaliar as associações. Resultados: O SDNN apresentou uma associação positiva com a massa muscular (r = 0,503, p < 0,01) e com a massa óssea (r = 0,486, p < 0,01). O RMSSD apresentou correlação com a massa muscular (r = 0,408, p < 0,05). Os índices HF e LF apresentaram correlações positivas moderadas com a massa muscular (HF r = 0,358, p < 0,05; LF r = 0,450, p < 0,05). O índice PNS correlacionou-se positivamente com a massa muscular (r = 0,423, p < 0,05) e com a massa óssea (r = 0,403, p < 0,05). Em contrapartida, os índices SNS e de stress apresentaram uma correlação negativa com a massa muscular (SNS r = -0,475, p < 0,01; stress r = -0,559, p < 0,01) e com a massa óssea (SNS r = -0,466, p < 0,01; stress r = -0,551, p < 0,01). Conclusão: Nesta amostra de 31 atletas do sexo feminino, uma maior massa muscular e óssea estiveram associadas a um perfil autónomo mais pronunciado, favorecendo a atividade parassimpática (RMSSD, SDNN, HF, índice PNS), enquanto valores mais elevados dos índices simpático e de stress estiveram associados a valores mais baixos de massa muscular e óssea. Estes resultados sugerem que a composição corporal, particularmente a massa muscular e óssea, está relacionada com a modulação autonómica em atletas do sexo feminino em ambientes de alta latitude.